O QuintoAndar começou 2020 como uma das poucas startups com o status de “unicórnio” do Brasil, termo aplicado às empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. E ao longo desse ano complicado e de muito aprendizado, a empresa se consolidou no mercado não apenas como uma opção ágil e segura pra quem quer alugar um imóvel, mas também pra quem quer comprar e vender. Em entrevista publicada esta semana pelo caderno Link, do jornal O Estado de São Paulo, o cofundador e CEO do QuintoAndar, Gabriel Braga, fez um balanço do ano, do mercado e contou um pouco do que a plataforma de moradia, como o executivo classifica a imobiliária digital, pretende pro futuro. 

Plataforma de moradia

Fundado em 2013, o QuintoAndar entrou no mercado pra revolucionar a forma como se aluga imóveis residenciais no Brasil, eliminando grande parte da burocracia e acabando com figuras anacrônicas, como a do fiador, por exemplo. No final de 2019, a empresa anunciou sua entrada no mercado de compra e venda. E o decorrer de 2020, mesmo com a crise provocada pela pandemia de 2020, serviu pro desenvolvimento desse novo segmento dentro da empresa. 

“Nós aprendemos muito neste ano, seja pela pandemia bagunçando o dia a dia ou por uma intenção nossa de expandir nossa visão. Começamos o ano como uma empresa focada em aluguel, agora somos uma empresa focada em moradia. Nós lançamos compra e venda de apartamentos no final do ano passado e é um segmento que cresceu muito rápido. Ele pegou carona na infraestrutura que a gente já tinha para o aluguel. Agora, queremos desenvolver inovações específicas pra esse mercado. Há muita sinergia entre os dois produtos, era uma hipótese que se comprovou. A principal aposta para 2021 é focar nessa expansão da plataforma de moradia”, disse Braga. 

Tendências de moradia

Ao longo dos últimos seis meses, de acordo com o CEO do QuintoAndar, a tendência de as pessoas repensarem suas casas se consolidou. Mas com migrações em todas as direções. 

“Houve quem buscou imóveis maiores em regiões fora do centro, mas também uma busca grande por imóveis mais baratos, pra quem estava tentando readequar orçamentos. Com isso, veio também uma redução de juros e movimentação que aqueceu o mercado”, destacou o executivo. 

Evolução do mercado imobiliário

Para os próximos anos, Gabriel Braga prevê uma combinação interessante pro mercado imobiliário: “as pessoas vão valorizar mais suas casas e há um movimento econômico que vai privilegiar a compra de imóveis, seja para morar ou para alugar. Além disso, vamos ver uma profissionalização do aluguel: quando os juros caem e a renda fixa deixa de ser atrativa, os imóveis voltam a ser interessantes como investimento. Isso trará um efeito saudável no mercado”, afirmou. 

O executivo fez, também, uma comparação entre as operações de aluguel e de compra e venda da plataforma de moradia, apontando sinergias e disparidades em cada um desses mercados. E apontou o crédito imobiliário como uma das grandes dores pra quem pretende comprar um imóvel.

“A parte (da compra e venda) que é similar ao aluguel é que é preciso ter um estoque de imóveis grande, bem organizado, pra que depois ele possa ser transacionado da melhor forma possível. Além disso, nós conseguimos agregar ao aluguel uma série de ferramentas que facilitam a vida do proprietário. Esperamos fazer algo similar no mercado de compra e venda de imóveis, com imóveis mais acessíveis e transações mais rápidas. Hoje, o processo de crédito imobiliário é obscuro, até porque muita gente não passa por isso mais de uma vez, então é difícil. E às vezes, demora três ou quatro meses para pegar a chave do imóvel. Não precisa nem dizer que isso é uma dor do mercado. Além disso, é um setor cheio de frio na barriga e assimetria de informação”, disse Braga.

Clique aqui e veja aqui a entrevista completa de Gabriel Braga pro Estadão.