Co-motherhood: mães solo que dividem a casa e a criação dos filhos

Conheça o movimento de mulheres que vivem em comunidade e criam suas redes de apoio

Co-motherhood: mães solo que dividem a casa e a criação dos filhos

Ser uma mãe solo é ter um dia a dia repleto de desafios. E quem pode compreender mais esse momento de vida do que outra mulher que passa pela mesma situação? Esse questionamento gerou um movimento chamado co-motherhood. Já ouviu falar? São mães solo que decidem morar juntas pra formar uma rede de apoio. Elas dividem as despesas de uma casa, o cotidiano e o cuidado com as crianças.

Com uma rotina parecida, essas mulheres conseguem mais suporte pra criar seus filhos. Além disso, por conta da rede de apoio, conseguem se dedicar mais a objetivos profissionais e pessoais. E alcançam uma independência maior que, em muitos casos, especialmente para mulheres mais jovens com filhos, não é tão simples de conseguir.

Co-motherhood: moradia e sustentabilidade

Dividir a casa com outra mulher e seus filhos pode ser muito mais que dividir a maternidade. É viver um conceito de comunidade mais sustentável. Essa nova “família” também oferece a base, a segurança e a estabilidade que as crianças precisam. Foi o que aconteceu com Anne Trummer (foto abaixo). Ela sempre dividiu casa em São Paulo antes mesmo de ser mãe.

Co-motherhood - Mães solo que vivem em comunidade

“Morar sozinha nunca foi uma vontade. Primeiro porque não acho nem um pouco ecológico. Cada um na sua casa, com seu liquidificador, sua máquina de lavar. São muito maiores os benefícios quando as coisas são compartilhadas”, afirma Anne, que é consultora de governança dinâmica e bióloga.

Comunidade em São Paulo

Quando se separou, Anne foi morar na casa da mãe, numa cidade de interior, com o filho Francisco – então com 2 anos e meio -, a quem chama carinhosamente de Didi. Em 2016, precisou voltar a morar em São Paulo. E foi quando surgiu a oportunidade de dividir uma casa com cinco adultos e uma criança.

“A casa tem cinco quartos e somos em cinco adultos. Cada um tem o seu quarto e dorme com a sua própria cria”, brinca Anne.

Mariano, o pai solo da casa, tinha uma filha, a Amaya, com 3 anos de idade. Ela já convivia bem com todos. E Anne achou que poderia ser interessante morar por lá e juntar as duas crianças. Em menos de três meses, surgiu uma vaga na casa e a possibilidade de outra mãe, com dois filhos, ocupar o lugar. Ambas as crianças tinham idades próximas das que já moravam ali.

“Nossa dinâmica na casa com as crianças já era muito boa. Refletimos que se alguém podia acolher essa mulher, com dois filhos e recém-separada, era a gente”, revela Anna, que já havia contado com o senso de coletividade dos moradores da casa meses antes, quando passou por uma situação semelhante.

Nova moradora, novas crianças

A publicitária e astróloga pernambucana Circe Ferrario chegou à casa em outubro de 2016, junto com seus filhos Clarice e Caetano (foto principal da matéria). E estão por lá com Anne e Didi até hoje. Já Amaya foi morar com a mãe em Campinas e passou a frequentar bem menos a casa.

As mães procuram organizar a rotina de forma que eles possam ir pra casa dos pais no mesmo período, no melhor estilo co-motherhood.

“A gente se apoia muito. As crianças comem juntas, brincam juntas e dão muito menos trabalho quando estão todos em casa do que quando estão sozinhos. É uma dinâmica deliciosa”, diz Anne.

Regras da casa

Como a casa tem outros adultos sem filhos, Anne conta que uma regra bem rígida com as crianças é não deixar os brinquedos espalhados pela casa. Também é pedido aos moradores um pouco de compreensão quando aquele prato ou copo fica um pouco mais de tempo na pia.

“Às vezes, a gente sai correndo pra dar banho em criança. Todos entendem”, diz Anne.

No fim das contas, a harmonia e a sintonia entre os moradores faz com que tudo funcione muito bem nessa experiência de co-motherhood.

Convivência harmônica

Co-motherhood - Mães solo que vivem em comunidade - Crianças

A convivência das crianças com os adultos sem filhos é bem harmônica. Eles observam como as mães educam e procuram entrar no mesmo ritmo.

“Agora tem um morador novo. Um argentino que mora há pouco tempo no Brasil. E as crianças estão aprendendo espanhol. Quando um dos moradores saiu, o Pedroca, como as crianças o chamavam, foi um baque. Todos eram muito próximos dele, mas eles entendem que esse é o fluxo da casa”, conta.

A experiência entre Anne e Circe deu tão certo, que elas não têm a intenção de morar separadas.

“Eu e a Circe falamos que o Cafofo (apelido da casa) pode se desfazer, mas a gente vai junto”, brinca Anne.

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