Apesar de ser conhecida por guardar alguns toques de cidade do interior, Belo Horizonte é uma das grandes metrópoles brasileiras. E como qualquer metrópole, o característico acinzentado urbano sempre deu o tom de muitas paisagens, especialmente na região mais central da cidade. Esse cenário começou a mudar em 2017, quando o festival Circuito Urbano de Arte, o Cura, nasceu para promover um colorido refresco visual à Capital Mineira, que vem se transformando em um grande museu a céu aberto. Com suas pinturas gigantescas em fachadas e empenas (laterais) de prédios, o evento realiza sua sexta edição entre 21 de outubro e 2 de novembro de 2021. E segue em sua missão de promover o grafite em BH agora com um novo cenário: a Praça Raul Soares, localizada no centro geográfico da cidade.

“Além de ter transformado e fomentado muito a cena de pintura de prédios, a gente considera que o grafite em BH já era muito forte. Já tinha uma cena muito viva. Mas estamos colocando a cidade num cenário internacional de circuitos de festivais. Hoje estamos entre os mais importantes e de maior relevância artística do Brasil. A gente aponta caminhos. Hoje a gente pauta até São Paulo em termos de novos artistas que a gente lança. O Brasil fica de olho em quem a gente vai lançar”, diz Priscila Amoni, uma das criadoras do Cura. 

Priscila Amoni no alto de um dos prédios nos arredores da Praça Raul Soares, que aparece ao fundo (Foto: Thiago Souza | Divulgação | Cura)

Três mulheres no comando

O festival foi criado, idealizado e curado por “três mulheres mamães”, como conta Priscila. Ao seu lado, estão as amigas Juliana Flores e Janaína Macruz. O trio trabalha o ano inteiro pelo evento. E especialmente nos seis meses que antecedem a realização de mais uma edição, os preparativos se intensificam.

“Fazemos toda a direção criativa do festival, desde o desenho de como vai ser, quantas empenas, quantas obras, quantos artistas, quantas curadoras convidadas. Tudo é feito por nós durante o ano. Toda pesquisa curatorial e pesquisa de território. E aí, o festival propriamente dito começa seis meses antes da data marcada. Nós começamos as reuniões com as curadoras convidadas, começamos as pesquisas e as reuniões com edifícios que serão pintados, e começamos a desenhar também o conceito e, consequentemente, os artistas que irão participar”, revela Priscila.

Juliana Flores (esq.), Janaína Macruz e Priscila Amoni, idealizadoras do Cura (Foto: Thiago Souza | Divulgação | Cura)

Primeiro mirante de arte urbana do mundo

Um dos grandes feitos do Cura foi ter transformado a mureta da Rua Sapucaí, localizada atrás da icônica Praça da Estação, em um grande mirante de contemplação – o primeiro mirante de arte urbana do mundo. 

De lá, por conta da produção de outras edições do festival, pode-se ver belíssimas pinturas em empenas de prédios do Centro da cidade.

Clique na imagem e acesse o mapa interativo com todas as obras do festival:

6ª edição do Cura

Para a sexta edição, foram chamadas a pesquisadora, mulher do Povo Terena – uma das etnias indígenas do Brasil -, artista e educadora Naine Terena de Jesus e a educadora, artista visual e produtora Flaviana Lasan.

“A ideia do Cura é ampliar e expandir. Para tanto, buscamos nos somar a mulheres que trabalham nesse sentido. A Flaviana tem um forte trabalho de pesquisa sobre a presença da mulher na história da arte. Já a Naine faz um trabalho incrível junto aos povos indígenas. Elas trazem esse olhar que para a gente é muito caro, admiramos suas pesquisas”, conta Priscila Amoni.

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A Praça Raul Soares

O festival decidiu mirar na Praça Raul Soares, um dos espaços mais democráticos e de maior diversidade da Capital Mineira, localizada em uma encruzilhada entre as Avenidas Amazonas e Bias Fortes. 

E é justamente da Avenida Amazonas o ponto de partida rumo ao novo endereço na praça, que significou a despedida do Cura do mirante na Rua Sapucaí: o mural Selva Mãe do Rio Menino, de Daiara Tukano (colocar aqui menu âncora para a descrição da artista mais abaixo).

Praça Raul Soares (Foto: Divulgação | Cura)

A praça guarda mais referências do Norte do Brasil do que apenas o nome de um dos principais rios da região em uma das avenidas que a cruzam. Seu chão é repleto de grafismos de origem marajoara, povo formado por grupos indígenas nômades e considerado extinto, mas cuja cultura segue viva entre seus descendentes. E, em seu centro, há uma fonte com os contornos da Chakana, uma cruz Inca – povo originário do Peru, país onde fica a foz do rio Amazonas – que representa os três mundos: o inferior (dos mortos); o mundo em que vivemos (dos vivos) e o superior (dos espíritos).

“Ao ler os signos deste novo território, compreendemos ainda mais o que guiou a curadoria desta edição. Queremos nos conectar com o outro e com outros seres, na certeza de que não estamos sós e de que o futuro é coletivo. Você não está sozinha!”, diz a divulgação do festival, sobre a inspiração e o tema da nova edição.

Praça circular, conhecida por ser um território LGBTQIA+ e por ser palco de protestos e manifestações a blocos de Carnaval da cidade, a Raul Soares é um ponto nevrálgico de Belo Horizonte. Um lugar onde casais de namorados, adolescentes roqueiros e atletas de fim de semana dividem o espaço com moradores em situação de rua. Um lugar que aguça a percepção social de qualquer pessoa que esteja de passagem por ali. Um lugar que, a partir da 6ª edição do Cura, passa a ser cercado por novas obras de arte do grafite em BH. 

Como chegar à Praça Raul Soares

Por estar localizada em uma região muito central de Belo Horizonte, a Praça Raul Soares é um local de muito fácil acesso por ônibus. A regão é repleta de estações por onde passam ônibus que saem de diversos pontos da cidade. Entre as estações próximas estão: Rua Dos Goitacazes; Av. Olegário Maciel; Rua Santa Catarina; Rua Dos Guajajaras; Av. Augusto De Lima; Av. Amazonas; Av. Bias Fortes; Rua Dos Tupis e Estação Lagoinha.

A Estação Lagoinha, por sinal, é onde passa a Linha 1 do metrô de Belo Horizonte, que é a mais próxima da Praça Raul Soares. Ao descer nessa estação, saia na Avenida do Contorno e siga na direção da Rua Paulo de Frontin e vire nela à esquerda. Depois, vire à direita na Avenida Olegário Maciel e siga por cerca de 850 metros até virar à direita novamente, já na praça. O percurso todo a pé tem menos de 1,3 Km.

Grafite em BH: artistas do Cura

A curadoria do festival preza sempre por ter uma pessoa de Belo Horizonte entre os autores de uma das pinturas em empenas. Um artista anfitrião da cidade. Mas as organizadoras sempre buscam pessoas de fora também. 

“Queremos alguém de fora. Mas não do eixo Rio-São Paulo. A gente busca os ‘Brasis’ mais profundos e diversos. E sempre querendo também trazer alguém internacional. Estamos focando este ano na América Latina. Então, a ideia é proporcionar a valorização dos artistas daqui e, ao trazer pessoas de fora, levar o Cura e Belo Horizonte para o mundo”, conta Priscila. 

Conheça alguns dos artistas que já passaram pelo Cura e ajudaram a colorir Belo Horizonte com seus grafites. 

Acidum Project

Tereza Dequinta e Robézio Marqs (Foto: Divulgação | Cura)

Duo formado por Tereza Dequinta e Robézio Marqs, artistas cearenses com 10 anos de trajetória e dezenas de murais em várias cidades do Brasil e do mundo, inclusive em grandes festivais de arte urbana como o Mural Festival, de Montreal, no Canadá. 

Em agosto de 2017, o Acidum Project pintou o mural “Curandeiras”, de 850 m², na fachada cega do edifício Rio Tapajós, retratando dois rostos que se olham e se falam.

Endereço: Rua da Bahia, 325, Centro – Belo Horizonte.

Mural “Curandeiras”, do Acidum Project (Foto: Divulgação | Cura)

Criola

Formada em Design de Moda pela Universidade Federal de Minas Gerais, Criola é uma artista mineira da capital, uma das novas expressões do grafite em BH. Ela pauta sua obra no universo feminino e na busca da conexão com a sua ancestralidade, influenciada por um mergulho na pesquisa de matrizes africanas, o que se reflete na paleta de cores vibrante usada em suas artes.

Criola (Foto: Divulgação | Cura)

Em novembro de 2018, Criola pintou para o Cura o mural “Híbrida Astral – Guardiã Brasileira”, de 1365 m², na fachada cega do edifício Chiquito Lopes.

Endereço: Rua São Paulo, 351, Centro – Belo Horizonte.

Mural “Híbrida Astral – Guardiã Brasileira”, de Criola (Foto: Divulgação | Cura)

Daiara Tukano

Artista, ativista dos direitos indígenas e comunicadora, Daiara é paulistana e fundamenta sua obra em pesquisas sobre história, cultura e espiritualidade de seus ancestrais do povo Yepá Mahsã, mais conhecido como Tukano, originário da região do Rio Tiquié, no Amazonas, na região da fronteira do Brasil com a Colômbia.

Daiara Tukano (Foto: Instagram pessoal)

Em setembro de 2020, Daiara Tukano pintou o mural “Selva Mãe do Rio Menino”, de 1006 m², na fachada cega do edifício Levy, que retrata a mãe selva carregando o menino rio no colo.

Endereço: Av. Amazonas, 718, Centro – Belo Horizonte. 

Mural “Selva Mãe do Rio Menino”, de Daiara Tukano (Foto: Divulgação | Cura)

DMS

Um dos grandes nomes do grafite em BH, Davi De Melo Santos começou sua trajetória na arte urbana em 1998, como a maioria dos grafiteiros, pintando obras em sua cidade natal. Hoje, tem artes que podem ser vistas no mundo todo. Além da arte urbana nas ruas, colabora com empresas e grandes marcas com ilustrações editoriais, design, ilustrações de livros, cenários para teatro e televisão.

DMS (Foto: Instagram pessoal)

Para o Cura, em dezembro de 2017, DMS pintou o mural “O Abraço”, de 1.000 m², na fachada cega do edifício Príncipe de Gales, representando um abraço entre o dia e a noite.

Endereço: Rua dos Tupinambás, 179, Centro – Belo Horizonte. 

Mural “O Abraço”, de DMS (Foto: Divulgação | Cura)

Grafite em BH da janela de casa

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