O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (09/01), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro de 2021, que apresentou desaceleração e fechou o mês com alta de 0,25%. O indicador, que é considerado a inflação oficial do país, diminuiu 1,10 ponto percentual (p.p.) em relação ao que foi apontado em dezembro de 2020 (1,35%). Com isso, índice total de 2021 é de 0,25%, enquanto o IPCA acumulado dos últimos 12 meses fica em 4,56%.

Recentemente, o QuintoAndar adotou o IPCA como o índice de referência no reajuste de aluguel dos contratos fechados pela plataforma.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 30 de dezembro de 2020 a 28 de janeiro de 2021 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de novembro a 29 de dezembro de 2020 (base).

Inflação em janeiro de 2021

De acordo com o gerente da pesquisa Pedro Kislanov, houve uma queda de 5,60% no item energia elétrica, que foi, individualmente, o maior impacto negativo no índice do mês (- 0,26 p.p.). Após a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a bandeira amarela.

“Com isso, em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional menor, de R$ 1,343. E isso resultou em uma deflação (-1,07%) no grupo Habitação, do qual esse item faz parte, mesmo com a alta em outros componentes, como o gás encanado (0,22%) e a taxa de água e esgoto (0,19%)”, explicou Kislanov.

Vestuário (- 0,07%) foi outro grupo que registrou deflação em janeiro, após alta de 0,59% em dezembro, quando as vendas do setor se aquecem para as festas de final de ano. Já os demais sete grupos registraram elevação de preços, com destaque para Alimentação e bebidas (1,02%), que apresentou a maior variação e o maior impacto positivo (0,22 p.p.) no índice do mês, uma alta menos intensa do que a de dezembro (1,74%).

Veja o impacto de cada grupo no IPCA de janeiro de 2021:

  • Alimentação e bebidas: 1,02%
  • Artigos de residência: 0,86%
  • Transportes: 0,41%
  • Despesas pessoais: 0,39%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,32%
  • Educação: 0,13%
  • Comunicação: 0,02%
  • Vestuário: – 0,07%
  • Habitação: – 1,07%

IPCA acumulado no reajuste de aluguel

No final de novembro, numa ação pioneira para o setor, o QuintoAndar anunciou que os novos contratos fechados pela plataforma com propostas enviadas a partir do dia 26/11/2020 passarão a ser reajustados pelo IPCA. Com a iniciativa, a imobiliária digital deixa de lado o IGP-M.

Os contratos que estão sendo firmados desde então só serão reajustados daqui a um ano, quando fizerem aniversário. Mas, desde já, os inquilinos com contratos antigos podem procurar o QuintoAndar para negociar o reajuste com os proprietários, inclusive usando o IPCA acumulado em 12 meses como referência. 

Segundo um estudo recente do QuintoAndar, divulgado no final de novembro, a alteração do índice de referência no reajuste de aluguel do IGP-M para o IPCA, que é menos volátil, pode ser um movimento vantajoso para ambos os lados numa relação de locação de imóveis. Tanto para inquilinos quanto proprietários.

O cálculo

Em uma comparação entre os dois índices, um contrato de aluguel reajustado no início de fevereiro de 2021 pelo IGP-M teria um aumento de 25,71%. Pelo IPCA, esse reajuste seria de 4,56%, que é o acumulado de 12 meses. Para fazer essa conta, basta você multiplicar o valor do aluguel por 1,0452. 

Por exemplo, um aluguel de R$ 1.500 reajustado pelo acumulado de 12 meses do IPCA de janeiro (4,56%) teria a seguinte conta: R$ 1.500 x 1,0456. Com isso, o novo valor da locação do imóvel ficaria em R$ 1.568,40.

A título de comparação, se o mesmo aluguel fosse reajustado pelo IGP-M, o cálculo seria R$ 1.500 x 1,2571. O que daria um novo valor do aluguel de R$ 1.885,65.

O IGP-M, índice padrão do mercado imobiliário, segue valendo para contratos do QuintoAndar fechados com propostas enviadas até o dia 25/11/2020. No entanto, por conta da forte alta do IGP-M nos últimos meses, o QuintoAndar já vinha atuando para facilitar a negociação de reajuste entre inquilinos e proprietários, além de entrar em contato com os donos de imóveis sugerindo a aplicação proativa de taxas menores na correção dos aluguéis. A decisão, porém, é inteiramente dos proprietários.

Sobre o IPCA

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.